Holofote        
 
A imagem dos atletas na berlinda

06/09/2012

Fonte: Cristina D’Avila, consultora da Bico de Pena Comunicação

A realização no Brasil da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016 vão testar mais que a performance dos atletas na corrida pela conquista da taça e do maior número de medalhas de ouro.

Independentemente de qual venha ser o resultado do placar dos jogos e das competições olímpicas, ídolos do esporte têm a oportunidade de testar o poder de influência da Comunicação como uma ferramenta a seu favor para construir e fortalecer suas imagens; ampliar a admiração da torcida; ajudar a valorizar seu passe; atrair mais patrocinadores e projetar os países.

O Brasil, em particular, vai transformar-se numa vitrine para o planeta durante os jogos. Somente a cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres, que em território nacional foi transmitida com exclusividade pela Rede Record em TV aberta, teve cerca de 4 bilhões de telespectadores em todo o mundo.

Imprensa: desafio

Fora dos campos e das quadras, entretanto, o capital de quem dominar a arte de se comunicar, saber lidar com o batalhão de jornalistas vindos de vários cantos do mundo, com o assédio e a crítica desse time escalado para as reportagens com câmeras, lentes, gravadores, blocos e canetas pode fazer toda a diferença. Os cursos de Media Training conseguem preparar esses líderes para enfrentar o ‘bombardeio’ dos jornalistas, oferecendo segurança, informação e treino sobre o comportamento da mídia.

O esporte é um universo movido por extremos: paixões, vaidades, polêmicas, disputas e cifras bilionárias. O poder da mídia e a interatividade imediata permitida pela internet podem alavancar ou manchar a reputação dos craques do futebol e da elite esportiva, dependendo do posicionamento dos seus protagonistas e das circunstâncias apresentadas. Mas todo cuidado é pouco.

O que não é dito fala de você

Mais que um repertório, oratória envolvente, os atletas, que não nasceram com este dom e não se prepararem, ainda têm tempo de fazer o dever de casa. Num processo de comunicação, é preciso ir além da linguagem verbal para ser compreendido mais facilmente pelo público. A influência do que não é dito, o que é manifestado pela comunicação não verbal é mais forte. A compreensão da necessidade do outro é alcançada quando se tem habilidade para “ouvi-lo” com ou sem palavras.

A comunicação verbal, que ocorre por meio do diálogo, é a mais habitualmente discutida. Porém, representa apenas 7% do processo comunicativo. Os 93% restantes são expressos por meio de elementos não verbais, como gestos, olhares, atitudes, posturas, comportamentos. Deve-se prestar a máxima atenção a essa linguagem não verbal, pois pode ser mais informativa do que o relato.

Corpo transmite 55% da mensagem

Albert Mehrabian, psicólogo e professor na Universidade da Califórnia, foi quem chegou a esta conclusão. Desenvolveu um estudo pioneiro sobre a relação entre o que batizou como "três Vês" da comunicação falada: a Verbal (as palavras que se dizem - quase que laconicamente lendo a página); a Vocal (a forma como se verbalizam estas palavras - entoação e projeção) e a Visual (a forma como alguém se apresenta e age enquanto fala).

A maioria dos oradores se concentra no elemento verbal, tratando as palavras como se resumissem a comunicação. Na verdade, a pesquisa do cientista provou que a maioria das pessoas não tem a menor ideia de como os ouvintes tomam suas decisões sobre a credibilidade ou sua ausência. As conclusões da pesquisa de Mehrabian foram publicadas em 1971 no livro “Silent Messages” (Mensagens Silenciosas) e revelam:

Na comunicação face a face:
● 55% da mensagem são transmitidas via linguagem corporal;
● 38% respondem pela voz (tom da voz, inflexões e outros sons);
●7% referem-se às palavras utilizadas

Na Comunicação telefônica:
●82% referem-se ao impacto do tom da voz;
●18% representam às palavras utilizadas